Lidando com o novo clima

Ainda lembro daquele tempo em que a gente ia à praia, bem aqui em frente de casa e depois tirava o sal no piscinão da pérgula do Copa. Eu quedava na minha chaise, sombreada e dispensava o uso de filtro solar que, então, era generosamente substituído pelo meu Rayto de Sol que trazia de minhas idas à Buenos Aires, quando batia pernas horas e horas pela Caje Corrientes. A pele ficava lustrosa, brilhava mesmo. E eu ali semi-deitada, semi- sentada, munida de um bom turbante, estalava os dedos para chamar Régis, que trazia na bandeja de prata mais um Daiquiri.
Bons tempos, diferentes de hoje, quando a gente se vê encomendando carregamentos de potinhos anti-mofo para colocar um em cada prateleira da casa.
Sendo assim, obrigada a conviver com o novo clima que assola Copacabana, o bairro da cidade cinza, nublada e de areias permanentemente úmidas, vamos dar a volta por cima, todas nós, subindo na galocha e lidando com a realidade do aquecimento global e suas implicações em nosso day by day.

LAVANDERIA

Eu que não sabia como a coisa se operava. Firmina, minha criada gorda que mamãe trouxe de Portugal, todas as manhãs invade meu closet e leva consigo uma trouxa de roupas usadas, não sujas, para a lavanderia do apartamento. Antigamente elas voltavam secas e passadas e Firmina ainda as dobrava com capricho por ordem alfabética em minhas prateleiras e gavetas com frente de vidro. Hoje, para minha surpresa, faltou uma anágua de cetim rosa bebê.
Protestei.
Firmina me expôs a situação. As roupas acumuladas na lavanderia entram nas máquinas e tanques de lavar roupas, são centrifugadas umas e torcidas outras. Há ainda aquelas que não toleram a torção e que pedem baixa umidade do ar para secarem au naturel.
Desde 2006 que isto não acontece. Não vamos perder o rebolado por causa disso. São varais e mais varais com roupas úmidas que vão ficando com aquele cheiRo, um misto de Comfort com bolor.
Amiga baranga, estamos em 2009, o clima é Blade Runer, porém deveríamos ser modernas e práticas. Compre uma boa secadora, mande sua criada bater perna num 5 à séc, mas nada de vestir calça jeans com o fundilho molhado. Isso não. Revolte-se, mesmo que isso lhe custe um pouco de encolhimento, mas faz-se necessária uma reforma na área de “selviço”.

LAZER

Fim de semana no campo. Quão prazeroso é um final de semana dez graus abaixo dos meus 37 costumeiros! Entrávamos no Opala de papai e a família partia rumo a Petrópolis, mais exatamente Itaipava, reduto pouco freqüentado nos anos 70 que hoje exporta uma renomada e homônima cerveja. Eu só tomo as pretas.
Clima ameno, chuvas à tardinha e sol pra subir e descer as malharias do Centro. Depois um chá no D’Angelo e a volta à Itaipava, onde nos perdíamos mirando as silhuetas das montanhas.
Isto não nos pertence mais, como ouvi falar uma pessoa no Televisor.
Malas prontas, lá fomos nós, eu e meus amigos Rony e Tony, com uma leva de DVDs e CDs, ultrapassar toda uma linha vermelha para finalmente curtirmos o nosso pós-reveillon na serra. Guias de restaurante na mão, reservamos uma mesa, uma tarde toda na Locanda, atendidas pessoalmente por meu quase irmão Dânio Braga.
Depois de três dias de chuva ininterrupta, fomos ao João Flora que fica logo ali em Pedro do Rio e adquirimos três botinas Zebu. Elas são rústicas, mas atendem perfeitamente o nosso objetivo, com um certo charme country. Depois de nos lambuzarmos com as iguarias de Danio e sairmos altinhos os três, dos vinhos que absorvemos, acompanhados por um enorme ombrellone, voltamos ao veículo que nos levou de volta à origem.
A chuva não parou até que um dia, depois de 10 com a chuva a nos brindar todas as manhãs, dias e noites, resolvemos ignorar o detalhe meteorológico e partir para fazer o que quiséssemos com a chuva e tudo.
Esta é a dica apocalíptica: uma vez que o aquecimento global está aí e vivemos desde que o ano começou, debaixo de chuva, não devemos nos intimidar diante da atual situação do clima.
Botei um bom duas peças, Rony e Tony, seus caleçons e fomos dar um tchibum na cachoeira perto do nosso chalé. Duas peças, toalha no pescoço e as botinas zebú, ficamos engraçadinhos.
Lá fomos nós rio acima, o volume de água era grande. Avistamos uma aglomerado logo adiante com troncos, mato e algumas pedras. Pensei ser um sambaqui, mas que nada.
Enquanto Rony e Tony cheiravam flores exóticas e molhadas, ouvimos um estrondo da natureza. Depois de corrermos e nos pendurarmos os três abraçadinhos em cima de um tronco atravessado, sentimos os respingos em nossos traseiros e pudemos avistar uma cama de solteiro descendo rio abaixo junto com a enxurrada. Cabeça d’agua, ficamos sabendo na venda onde tomamos cada um, um trago de pinga pra desidratar pelo menos um pouco.
Voltamos caminhando e tivemos ainda que lidar com as barreiras caídas em nosso caminho de casa. Lá ficamos até ontem quando meu vizinho, sobrinho de um certo ex-presidente, nos emprestou gentilmente seu helicóptero que parou ali mesmo na Lagoa de onde eu voltei para o Chopin, Tony e Rony para a Dias Ferreira, onde têm um bistrô.
Continuo determinada a ignorar as previsões e hoje me preparo para um piquenique no Parque da Cidade. Levo uma capa, minha botina Zebu que virou coqueluche entre meus vizinhos do Chopin e uma sombrinha.

Amigas barangas, estas são as minhas primeiras observações e recomendações para você que pode estar aí sem saber como lidar com nosso novo clima tropical.
Siga meus passos que você vai bem.
Aguardem mais para o tema Aquecimento Global, e não estou falando do povo do Projac.

La Chanel

Tio responde

Oi tio! Quero o seu parecer sobre uma determinada questão… Conheci através de amigos em comum um carinha mtooo gato e engraçado. Nesse primeiro dia eu estava entre amigos e não dei mta trela pra ele. Em outra saída, conversamos e ficamos. Daí continuamos ficando… Ele dando as investidas normais de todo cara, e eu deixando as coisas evoluir aos poucos. Saímos 5 vezes e nessa quinta ele falou enquanto estava me levando em casa: “da proxima vez nao tem barzinho, cinema, eu vou te levar direto pra o lugar q qro ir.” Fiquei quase sem resposta, não tava nem acreditando no que tinha ouvido. Enfim, falei somente que pra mim estavamos nos conhecendo ainda, pra ele ter calma. No dia seguinte, ele me ligou em companhia de um amigo dele q eu tinha conhecido (que ficou a fim de uma amiga minha). E no meio da conversa, o amigo dele falou se referindo a minha amiga que qria algo mais certo, q ele só ia querer marcar algo a 4 se fosse algo certo, que ele nao é mais menino, que a epoca de romantismo ja passou, que “é ou não é”. Encarei como uma indireta para mim. Como tdo isso foi essa semana, não tenho como te falar mais nada Tio. Eu tenho 21 anos e ele 28 mas acredito que isso nao influencia pois não ter dado já pra ele não é por questão de inocencia, mas pq eu realmente não qro ir logo dando pra um cara q nem conheco. E aí tio, o que acha disso tdo? Beijos
 Isis

Ele querer melar seu útero no quinto encontro não tem nada demais. Qualquer macho saudável  já teria pensado nisso na primeira noite, tentado na segunda e, quem sabe? , conseguido na terceira. Mas o rapazola é ruim de papo. Então se você pretende provar daquele sêmem, melhor fazê-lo o quanto antes. Porque quanto mais você conhecer a besta, menos vontade vai ter de fornicar.

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A pergunta que não quer calar!

Como eu escrevo para o Tio da Limpesa???
JMC

É fácil. Escreva para tiodalimpeza@asciberneticas.com.br 
Não requer prática tampouco habilidade. Mas exige um míninimo de conhecimento da língua pátria, se é que você me entende.

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Tio responde – pelos nos lábios? Só nos vaginais.

Querido Tio, Ando com uma dúvida atroz: Tenho um bigodinho razoavel, mas nada parecido com o da Griselda, será que se eu fizer um implante de pelos – no bigode, eu consigo arrumar um galã como o Rene Velmont? Inclusive já pensei em pedir uma ajudinha a Claudia Ohana, afinal se a fartura de bigodes é proporcional a paixão que dele decorre, vou botar pra quebrar. Por favor, preciso de sua opinião de homem experiente e macho! Beijinhos
Dinorah


Filhota, com exceção dos pederastas e dos lusitanos, não conheço mais ninguém que aprecie um buço vigoroso. Se a pequena for muito sestrosa e faceira, a gente até perdoa, mas evita beijos públicos e procura sempre a penumbra. Então se você tem mais cabelos nos lábios de cima do que nos de baixo, tome providências. Enquanto isso vá dando de quatro, para não constranger o seu macho.

Tio responde. Meio de má vontade, mas responde.

Estou com um cara a 1 ano e meio e a situação é a seguinte :
Nunca saimos para lugar nenhum…a não ser para ficarmos sozinho e transar,somente nesses dias ele me procura,mas diga-se de passagem nos falamos por tel todos os dias,se não ligo ele acha ruim e cobra,mas não assume,faz de conta que não se importa com nada,mas qualquer coisa diferente que faço,percebe e fala…não sei mais o que pensar ou fazer…AJUDAAAAAAA TIOOOOOOO…

Andrea
“Não dou prioridade a quem me trata como opção.´´
 

Agora mais essa! Além de perguntar ainda deixa um aforismo. “Não dou prioridade para quem me trata com opção”. Daqui a pouco vai ter mocinha escrevendo estrofe de musica do Luan Santana e mandando um beijo pra mãe, pro pai e pra todo mundo da caravana de Carapicuíba. Francamente!

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