DIA 27 DE AGOSTO, de acordo com o calendário do Banheiro Feminino É um dois dois dias da galinha do ano.
Os artigos abaixo foram escritos há muitos, muitos anos. Em 2001. Antes de termos os torpedos e as redes sociais, muito antes. Quanta diferença! Parece que retiramos o artigo da revista seleções de 1940.
Mas uma coisa permanece: todos temos o direito de ser galinhas.
I-
O direito de ser galinha. Dia dos namorados sem namorado e sem traumas. Sexta feira, começa o dia em que todas as mulheres solteiras lamentam a falta de um homem para pelo menos aquele dia, pelo menos um jantarzinho romântico, um vídeo debaixo do cobertor. Aceitei um convite de um casal amigo ( e muito íntimo) e saí segurando uma vela gigantesca. Chegamos num bar animado, onde estava anunciada na porta uma tal noite LSD ( largados, solteiros e descolados). Entramos e fomos direto para o bar. Viramos duas tequilas quando passou uma dupla de amigos simpáticos, e ficamos os 5 conversando. Um deles era lindo de morrer e mais de dez anos mais novo que eu. Existe muita diversão e prazer na vida de uma mulher solteira. Se estamos casadas, lembramos com saudade da liberdade de sair direto do trabalho, sem avisar a ninguém e acabar chegando às três da manhã. Se estamos solteiras, reclamamos da total incompetência dos homens para assumirem compromissos. Pombas, é tão simples: se estamos solteiras, temos que aproveitar o direito de ser galinha. Ser galinha é ótimo. É muito bom a gente chegar em casa e ter recados de três caras diferentes, poder sair com um quarentão para jantar, com um teenager para dançar, com outro pra pegar um cineminha…Que mal tem, quando ninguém paga as nossas contas? Até que numa manhã fria, no jornaleiro a gente dê de cara com aquele que dará fim à nossa galinhagem.
II-
O direito de …ser galinha? ….dar o primeiro passo? ….tomar a iniciativa? ….ser ativa?
Every bed on which she lies shall be to her the bed of her impurity – Levictus, 16.25 Outro dia estava à toa e ouvi a seguinte história: um saudável moçoilo de pouco mais de 20 anos estava a praguejar que não conseguira se manter “intacto” após a ausência da namorada no primeiro dos três meses em que estarão separados. Como seria possível manter-se na abstinência quando já estava acostumado a “ter” quando bem desejasse? Bom, aqui fiquei com meus ouvidinhos atentos para ver qual seria o objeto direto daquela frase tão maviosamente colocada, tão coberta de sentimentos nobres pela cocota de 18 anos que estava longe. Mas o tal complemento simplesmente não veio, porque afinal ele conversava com machos da mesma estirpe que ele que, evidentemente, entendiam a que ele tão explicitamente se referia! Mas o pachorrento continuou, dizendo que tinha tentado se manter na linha mas, ao encontrar uma “mulher” que ele já conhecia de outros carnavais, não pudera resistir à tentação de carne aos seus olhos (sim, sem menção nem referência à portadora de síndrome de cornos) e mandou bala. Bom, quer dizer, não fez “tudo” (não dançou todas as músicas? não pagou a conta do bar? novamente, sem maiores explicações…). Ok, não sou tonta, mas por que não explicitar que não transara com a “mulher”, que estava com sede de sexo que era saciada pela pueril namorada que transa por amor? Ah! Aqui pulei uma parte e esqueci de contar ter dito a ele que esperava que a namorada dele estivesse esbarrando no mesmo tipo de dor-de-cabeça que ele estava encontrando, afinal ela também estava “sem”. Mas não, ela certamente não está. Faz amor por amor. E ele, ele sim pode transar por transar, além de fazer amor por amor. Simples assim. E eu cá me pergunto: por que? Qual é o grande pecadillo de se ter desejos, impulsos, tesões a qualquer hora do dia, independentes de escrúpulos sociais que foram incutidos nas mais minúsculas cabecinhas ao nosso redor? Caramba! Por que não podemos ver um baby beef por aí e ter vontade de jogar o laço e mandar para o abatedouro? Ver um docinho de côco e lamber até enjoar? Deparar-se com um chuchu e ter vontade de temperá-lo? Afinal, mulher entende ou não de forno e fogão?!?
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Mas baixemos as colheres de pau e entremos no cerne da questão: o direito de ser galinha. Você vai a uma festa, um bar, uma feira que seja: não olhe em volta, talvez no máximo para ver se está sendo notada. No máximo. Mulher deve ficar no seu cantinho, esperando os Don Juans que estão à volta intercederem por elas e sofregamente as retirarem da pasmaceira que é a vida fútil de uma mulher indefesa! Hahaha…quanta bobice junta! Mas a grande verdade não é que homem não goste de mulher que toma a dianteira e puxe papo, homem tem é medo de se ver envolto pela lábia de uma mulher! Tem medo de gostar da coisa! Esta estória de achar que a mulher não vale nada por ter se dado ao trabalho de levantar a poupança da cadeira e ir perguntar se ele tem fogo – ainda que ela nem fume – é uma das desculpas mais esfarrapadas que já pipocaram por aí, mas ela já não está mais colando (ou ao menos não se tem mais dado crédito a ela). Por que alguém diria tais bobagens? Só para queimar o filme? Filiar-se ao PML (Partido do Macho Latino)? Isto tudo já deixou de ser verdade absoluta há muito tempo, já que o grosso dos filiados ao Partido há muito não buscam em casa, não pagam a conta, não compram rosas nos botecos de por aí. Mas querem insistir na teoria da Promiscua Libertatoria. Tá disponível? Tá querendo? Num presta……… É um assunto tão surreal que pareço estar repetindo frases Lovecraftianas….mas infelizmente é popular, acontece em uma em cada duas rodas de fofos! Qual o mal em ser sincera e dizer o que realmente quer? Só porque uma mulher é supostamente mais sentimentalóide do que um homem, ela não pode simplesmente procurar sua cara metade ao invés de ficar tricotando sweaters para o enxoval? E muitas vezes nem estamos procurando cara-metade coisa nenhuma, estamos é querendo nos divertir e conhecer gente interessante. Às vezes sequer queremos isto: queremos beijar e ser beijadas, “ter” simplesmente. Qual o problema? Mas a mesma mente torpe que se insinua contrária à idéia da fêmea atacada, diz que prostituição é um mal necessário à sociedade. Por quê? Porque até mesmo a galinhagem masculina anda sendo condenada nestes famigerados tempos politicamente corretos. Homem quer dar mas não deve sair por aí perguntando às moçoilas se estas querem visitar a roça e seus coelhos particulares; ao contrário, ele deve cimentar a toca do lobo e fazer um túnel subterrâneo para os mais irretocáveis recônditos dos hábitos do macho que se preza. Ai ai ai…quando será que as pessoas serão mais íntegras e darão mais vazão aos seus desejos interiores? Afinal, como bem canta o The The…”The only true freedom is freedom from the heart’s desires..”.
Que lindo texto! Mais mulheres deveriam ler e por em pratica esse texto! Algumas vezes bons homens e mulheres deixam de ter uma experiencia maravilhosa juntos. Nos temos medo de levar um fora, e vcs tem medo de se expor demais… Mas se esquecem que vcs tem o poder no curto prazo… Vcs escolhem quem beijar e quem vai acompanha-las no fim da noite… Usem esse poder!!!
Fantástico! É um tema que, espero, seja clássico.Ontem os meteoros da blogosfera se chocaram. Três blogs sobre comportamento feminino debateram fortemente sobre a liberdade do desejo feminino.
http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2011/09/leticia-e-os-machistas-ridiculos.html
http://www.manualdocafajeste.com/
http://www.cemhomens.com/
Beijos,
Re
Completamente claro e honesto.Aí está o famigerado “crime contra mulher honesta”, concebido a dez anos atrás.Clarificado e deliciosamente libertador.Deveria virar sutra, ou um desenho para carimbos.É aí que as mulheres encontram eco uma nas outras.Quando encontram um exercício de verdadeiramente ser mulher.Grata por isso.Pela partilha, e tudo mais.