E hoje, uma dia marcante, sete de setembro, vamos comemorar a independência! Ou morte? Estou dividida, sempre fico assim quando ouço essa pergunta: Independência ou morte? Por que deveria escolher entre as duas? Seria a independência uma coisa assim tão complicada que como alternativa poderíamos escolher a morte? Quando papai fez a passagem me deixou assim, herdeira de sua pensão de almirante, morando aqui neste apartamento colado no Copa, com Firmina a me servir – já está vehinha, mas não ha mais funcionárias portuguesas como ela. Tenho bonitas peças em meu mobiliário assinado por renomados designers brasileiros e estrangeiros, como esta cadeira de Tenreiro na qual me sento enquanto dito meu texto.
Pra que estou falando isso tudo? Não sei. Começo assim, organicamente, mas eu queria fazer aqui um protesto velado – eu acho bonito isso de protesto velado – por nós herdeiras de pais militares que vivem bem em Copacabana e nem por isso devemos optar pela morte, só porque receberemos a polpuda mesada de papai até que façamos nós mesmas a passagem.
Eu pretendo usufruir da minha dependência e assim poder me dedicar a análises sobre o comportamento, a moda, o estilo, as tendências. Se não fosse papai, não estaria eu, Laura, a Chanel aqui a ditar essas mal traçadas linhas.
Sendo assim, quero chamar atenção para um problema, esse sim mais importante que essa pergunta que todo ano reaparece nesta data (independência ou morte?): a intencional imbecilidade das manchetes da internet. Se você pega um jornal de papel, não conseguimos mais achar o que chamamos de jornalismo como era nos tempos em que papai descia o couro por aí. Mas se ficamos a navegar na rede mundial de computadores, só posso acreditar que há um plano maléfico de imbecilização mundial.
Hoje abri uma manchete que estava na primeira página da globo.com. Ela dizia: Pe Lanza: “Não briguei com ninguém”
Curiosa, sem entender se Pe era pé, mas estava sem acento ou era pê que estava sem acento, cliquei e descobri que trata-se do nome de um petiz. Uma briguinha entre namorados é descrita e desmentida pelos pombinhos. Não satisfeito em relatar tamanho problema, há uma segunda parte da reportagem com o título: Entenda o caso, a exemplo de reportagens sobre crimes hediondos e ataques terroristas a prédios altos. Em seguida, uma explicação para posicionar quem não sabe exatamente do que estão falando. E o mais interessante, eu continuo sem fazer ideia de quem são so dois pombinhos, mas faço sinceros votos de felicidade aos dois que me parecem muito jovens para tanta celeuma.
Aqui está o link para tão importante reportagem que está apenas salpicada entre tantas outras de mesma relevância.
Beijíssimas
Laura Chanel