A verdade nua e crua

Estou farta e cheia de receber emails de jovens mulheres com úteros em fúria e o nervoso por não chegar o príncipe. Pois amigas, tenho que lhes revelar a boa nova. Casamento parece uma coisa linda, mas gente não é, não é, não, não é. SE você pensa que as coisas hoje são muito diferente, elas são mesmo, mas há resquícios de uma era pra lá de glacial, onde nosso senhores de Nenderthal nos faziam pedir penico pra continuar naquela lama que era o casamento. Outro dia Mahmoud Ahmadinejad renegou os horrores que as mulheres viveram em seus casamentos na décadas de 40, 50, 60, 70, ai pára. Não deixem isso cair no esquecimento.JORNAL DAS MOÇAS
* Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas. (1957)
* A desordem em um banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar banho na rua. (1945)
* A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, nada de incomodá-lo com serviços domésticos. (1959)
* A esposa deve vestir-se depois de casada com a mesma elegância de solteira, pois é preciso lembrar-se que a caça já foi feita, mas é preciso mantê-la bem presa. (1955)
* A cozinha pode ser a causa do naufrágio de um lar… ou seu levantamento. (1945)
* Se o marido fuma, não arrume brigas pelo simples fato de cair cinzas no tapete. Tenha cinzeiros espalhados por toda a casa. (1957) * É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido. (1957)

REVISTA CLÁUDIA
* Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afeto. (1962)
* A mulher ideal á carinhosa em casa e austera fora dela. (1962)
* Não acredite que uma fatia de queijo e um sorriso luminoso podem substituir um jantar malogrado. (1962)
* Se a mulher deu um mal passo deve arrepender-se de seu erro, deixar de lado o amor proibido e as ligações perigosas e assumir seu erro, propondo-se a não cometê-lo novamente. (1963)

REVISTA QUERIDA
* É importante compreender a diferença entre um flerte inocente e certas facilidades, que fazem uma jovem perder o seu próprio respeito e o dos rapazes. (1961)
* Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu. (1954)
* O noivado longo é um perigo. (1953)
* O lugar de mulher é no lar, o trabalho fora de casa masculiniza. (1955)

Preciso dizer mais? Moças dos anos 2000 valorizem cada centímetro de seus apartamentinhos de solteiras e não permitam que namorados acomodados se joguem em seus sofás-chaises e ainda mandem no tamanho de seus decotes. Vive La libertêêêêê!!!!

Lidando com o novo clima

Ainda lembro daquele tempo em que a gente ia à praia, bem aqui em frente de casa e depois tirava o sal no piscinão da pérgula do Copa. Eu quedava na minha chaise, sombreada e dispensava o uso de filtro solar que, então, era generosamente substituído pelo meu Rayto de Sol que trazia de minhas idas à Buenos Aires, quando batia pernas horas e horas pela Caje Corrientes. A pele ficava lustrosa, brilhava mesmo. E eu ali semi-deitada, semi- sentada, munida de um bom turbante, estalava os dedos para chamar Régis, que trazia na bandeja de prata mais um Daiquiri.
Bons tempos, diferentes de hoje, quando a gente se vê encomendando carregamentos de potinhos anti-mofo para colocar um em cada prateleira da casa.
Sendo assim, obrigada a conviver com o novo clima que assola Copacabana, o bairro da cidade cinza, nublada e de areias permanentemente úmidas, vamos dar a volta por cima, todas nós, subindo na galocha e lidando com a realidade do aquecimento global e suas implicações em nosso day by day.

LAVANDERIA

Eu que não sabia como a coisa se operava. Firmina, minha criada gorda que mamãe trouxe de Portugal, todas as manhãs invade meu closet e leva consigo uma trouxa de roupas usadas, não sujas, para a lavanderia do apartamento. Antigamente elas voltavam secas e passadas e Firmina ainda as dobrava com capricho por ordem alfabética em minhas prateleiras e gavetas com frente de vidro. Hoje, para minha surpresa, faltou uma anágua de cetim rosa bebê.
Protestei.
Firmina me expôs a situação. As roupas acumuladas na lavanderia entram nas máquinas e tanques de lavar roupas, são centrifugadas umas e torcidas outras. Há ainda aquelas que não toleram a torção e que pedem baixa umidade do ar para secarem au naturel.
Desde 2006 que isto não acontece. Não vamos perder o rebolado por causa disso. São varais e mais varais com roupas úmidas que vão ficando com aquele cheiRo, um misto de Comfort com bolor.
Amiga baranga, estamos em 2009, o clima é Blade Runer, porém deveríamos ser modernas e práticas. Compre uma boa secadora, mande sua criada bater perna num 5 à séc, mas nada de vestir calça jeans com o fundilho molhado. Isso não. Revolte-se, mesmo que isso lhe custe um pouco de encolhimento, mas faz-se necessária uma reforma na área de “selviço”.

LAZER

Fim de semana no campo. Quão prazeroso é um final de semana dez graus abaixo dos meus 37 costumeiros! Entrávamos no Opala de papai e a família partia rumo a Petrópolis, mais exatamente Itaipava, reduto pouco freqüentado nos anos 70 que hoje exporta uma renomada e homônima cerveja. Eu só tomo as pretas.
Clima ameno, chuvas à tardinha e sol pra subir e descer as malharias do Centro. Depois um chá no D’Angelo e a volta à Itaipava, onde nos perdíamos mirando as silhuetas das montanhas.
Isto não nos pertence mais, como ouvi falar uma pessoa no Televisor.
Malas prontas, lá fomos nós, eu e meus amigos Rony e Tony, com uma leva de DVDs e CDs, ultrapassar toda uma linha vermelha para finalmente curtirmos o nosso pós-reveillon na serra. Guias de restaurante na mão, reservamos uma mesa, uma tarde toda na Locanda, atendidas pessoalmente por meu quase irmão Dânio Braga.
Depois de três dias de chuva ininterrupta, fomos ao João Flora que fica logo ali em Pedro do Rio e adquirimos três botinas Zebu. Elas são rústicas, mas atendem perfeitamente o nosso objetivo, com um certo charme country. Depois de nos lambuzarmos com as iguarias de Danio e sairmos altinhos os três, dos vinhos que absorvemos, acompanhados por um enorme ombrellone, voltamos ao veículo que nos levou de volta à origem.
A chuva não parou até que um dia, depois de 10 com a chuva a nos brindar todas as manhãs, dias e noites, resolvemos ignorar o detalhe meteorológico e partir para fazer o que quiséssemos com a chuva e tudo.
Esta é a dica apocalíptica: uma vez que o aquecimento global está aí e vivemos desde que o ano começou, debaixo de chuva, não devemos nos intimidar diante da atual situação do clima.
Botei um bom duas peças, Rony e Tony, seus caleçons e fomos dar um tchibum na cachoeira perto do nosso chalé. Duas peças, toalha no pescoço e as botinas zebú, ficamos engraçadinhos.
Lá fomos nós rio acima, o volume de água era grande. Avistamos uma aglomerado logo adiante com troncos, mato e algumas pedras. Pensei ser um sambaqui, mas que nada.
Enquanto Rony e Tony cheiravam flores exóticas e molhadas, ouvimos um estrondo da natureza. Depois de corrermos e nos pendurarmos os três abraçadinhos em cima de um tronco atravessado, sentimos os respingos em nossos traseiros e pudemos avistar uma cama de solteiro descendo rio abaixo junto com a enxurrada. Cabeça d’agua, ficamos sabendo na venda onde tomamos cada um, um trago de pinga pra desidratar pelo menos um pouco.
Voltamos caminhando e tivemos ainda que lidar com as barreiras caídas em nosso caminho de casa. Lá ficamos até ontem quando meu vizinho, sobrinho de um certo ex-presidente, nos emprestou gentilmente seu helicóptero que parou ali mesmo na Lagoa de onde eu voltei para o Chopin, Tony e Rony para a Dias Ferreira, onde têm um bistrô.
Continuo determinada a ignorar as previsões e hoje me preparo para um piquenique no Parque da Cidade. Levo uma capa, minha botina Zebu que virou coqueluche entre meus vizinhos do Chopin e uma sombrinha.

Amigas barangas, estas são as minhas primeiras observações e recomendações para você que pode estar aí sem saber como lidar com nosso novo clima tropical.
Siga meus passos que você vai bem.
Aguardem mais para o tema Aquecimento Global, e não estou falando do povo do Projac.

La Chanel

SOS Baranga – independência ou morte?

E hoje, uma dia marcante, sete de setembro, vamos comemorar a independência! Ou morte? Estou dividida, sempre fico assim quando ouço essa pergunta: Independência ou morte? Por que deveria escolher entre as duas? Seria a independência uma coisa assim tão complicada que como alternativa poderíamos escolher a morte? Quando papai fez a passagem me deixou assim, herdeira de sua pensão de almirante, morando aqui neste apartamento colado no Copa, com Firmina a me servir – já está vehinha, mas não ha mais funcionárias portuguesas como ela. Tenho bonitas peças em meu mobiliário assinado por renomados designers brasileiros e estrangeiros, como esta cadeira de Tenreiro na qual me sento enquanto dito meu texto.
Pra que estou falando isso tudo? Não sei. Começo assim, organicamente, mas eu queria fazer aqui um protesto velado – eu acho bonito isso de protesto velado – por nós herdeiras de pais militares que vivem bem em Copacabana e nem por isso devemos optar pela morte, só porque receberemos a polpuda mesada de papai até que façamos nós mesmas a passagem.
Eu pretendo usufruir da minha dependência e assim poder me dedicar a análises sobre o comportamento, a moda, o estilo, as tendências. Se não fosse papai, não estaria eu, Laura, a Chanel aqui a ditar essas mal traçadas linhas.
Sendo assim, quero chamar atenção para um problema, esse sim mais importante que essa pergunta que todo ano reaparece nesta data (independência ou morte?): a intencional imbecilidade das manchetes da internet. Se você pega um jornal de papel, não conseguimos mais achar o que chamamos de jornalismo como era nos tempos em que papai descia o couro por aí. Mas se ficamos a navegar na rede mundial de computadores, só posso acreditar que há um plano maléfico de imbecilização mundial.
Hoje abri uma manchete que estava na primeira página da globo.com. Ela dizia: Pe Lanza: “Não briguei com ninguém”
Curiosa, sem entender se Pe era pé, mas estava sem acento ou era pê que estava sem acento, cliquei e descobri que trata-se do nome de um petiz. Uma briguinha entre namorados é descrita e desmentida pelos pombinhos. Não satisfeito em relatar tamanho problema, há uma segunda parte da reportagem com o título: Entenda o caso, a exemplo de reportagens sobre crimes hediondos e  ataques terroristas a prédios altos. Em seguida, uma explicação para posicionar quem não sabe exatamente do que estão falando. E o mais interessante, eu continuo sem fazer ideia de quem são so dois pombinhos, mas faço sinceros votos de felicidade aos dois que me parecem muito jovens para tanta celeuma.

Aqui está o link para tão importante reportagem que está apenas salpicada entre tantas outras de mesma relevância.

Beijíssimas
Laura Chanel

MODA VERANICO

MODA VERANICO

By Laura Chanel

 

Em pleno inverno encaro meu closet e separo um delicioso e refrescante vestidinho assinado por Diane Von Furstenberg, coleção 2007, claro, enquanto me preparo para encarar mais um dia de veranico, esse fenômeno meteorológico que, resumindo, transforma inverno em verão. Adeus dias deliciosamente frescos, lareira, um bom vinho tinto. O calor chega e derruba todo e qualquer contato que possamos estabelecer com as delícias do primeiro mundo.

Mas como se comportar em uma ocasião assim? Existe realmente uma moda para essa ocasião? Como encarar a alta temperatura sem parecer estar em fevereiro e com a elegância de setembro?

A resposta é a de sempre: use e abuse do bom senso. Por favor, não cometa o pecado de sair cheia de alças, decotes e saias curtas como se estivéssemos em alto verão. Não estamos. Por mais quente que esteja, você deve manter um figurino leve, não uma moda praia.

Entende-se por figurino leve aquele que não fará você assar como uma Perdiz. Vista uma camisa leve, pense que você poderá e provavelmente deverá tirar o casaco. Nada de malhas direto no corpo, nem botas. Cachecóis amarrados na cintura são um crime e devem ser evitados. Nada de querer transformar os acessórios do inverno em toques “modernos” do Veranico. Lembremos aqui de alguns pecados mortais da moda, que não só podem como devem ser aplicados em qualquer estação e situação.

Evite cores erradas.

Sim. Existem cores certas e erradas e você deve descobrir as suas. Cores erradas podem abater sua pessoa, deixá-la com aquela tez pálida e o pior, fazer saltar aos olhos suas rugas mais evidentes.

Massa Corrida ou Cara de Palhaça?

Pelo amor de Deus pra que tanta maquiagem? Com tanto calor é capaz de você derreter a olhos vistos. Maquiagem em excesso é sempre uma péssima aliada. Evite-a. Nada mais chique do uma mulher ligeiramente maquiada e discretamente sensual. É charme puro, acredite.

Cabelo Sujo e o truque do Tá Preso.

Querida, cabelos sujos continuam sujos até quando presos. Não sabia? Pois saiba. Se você não tem tempo, ou paciência para manter suas longas madeixas profundamente tratadas e limpas, melhor encarar uma boa tesoura. Existem cortes curtos que são puro luxo.

O mesmo vale para as moçoilas que tingem o cabelo mas não tem a menor vocação para mantê-los lindos, sedosos e com as raízes pintadas e cuidadas. Horrível.

Linda da cabeça à canela.

Tem muita gente por aí que acha que sapato é só um detalhe no figurino, ou até mesmo aquelas pessoas que acham que a roupa precisa estar limpa, mas o sapato não carece. Carece sim Senhora. Nada mais deselegante do que um Chanel sujo no salto ou um Prada com um chicletão colado na sola. Vamos ficar de olho nos sapatinhos, eles complementam e muito essa coisa figurino.

Sutiãs à mostra

Julia Roberts levou o Oscar interpretando Erin Brockovich com muita alcinha de sutiã para fora da blusa, mas ela é a Julia, ela é Roberts e aquilo é Hollywood. É cafona. Não use e nem abuse do tema.

Existem muitos outros pecados, como o de misturar tudo só porque tudo é de marca ou importado. Querida, nem todas as marcas se falam ou se combinam. Não force a amizade. Não é só porque a senhora tem boas marcas que pode sair por aí misturando tudo. Tenha modos.

Lado bom da moda Veranico? Promoções queridas leitoras. Muita roupa de inverno por preço de banana. Saiba garimpar e compre os clássicos. Garanta no Veranico de hoje peças fundamentais para o Inverno de amanhã, literalmente, porque semana que vem chega a frente fria.

Fascinators

Que loucura, nunca trabalhei tanto, tão rápido. FB, Tuíter, Aifone,Aipedi, porras.
Minha vida era mais easy antes dessa vida WI-fi. Shit!
Não deu outra. Eu não disse que as três garotas iam tirar o brilho da noiva?  Pois então, eu ia preparar uma coisa mais elaborada pra amanhã, com um modelo de origami pra reporduzir os fascinators. Um faça-você-mesma sua trapizomba pra colocar na cabeça.

Veja o exemplo das moças. Beatrice fez um fascinator mural. Ela pode por exemplo prender um souvenir bem ali acima de sua cabeça. Quando esticar nos pubs londrinos ela pode brincar de alvo. A ideia é que com uns 5 dardos fincados no alvo, outos fora, aquele conjunto fique ainda mais interessante.

Eugenie preferiu um modelo ecologicamente correto, com elementos da natureza. Arrancou algumas penas de pássaros em extinção e fez um shape que insinua que ali pode se reservar uma boa quantidade de água potável. Se ela estiver em uma selva, por exemplo, poderá passar despercebida por estar camuflada e ainda coletar água da chuva para sua sobrevivência. Claro que isso é só na teoria, porque na prática a jovem Eugene ha de armazenar cerveja quente de pub em pub.

A moça do meio, Robertona, preferiu uma brincadeira com a pompa do evento e fez também um protesto velado, mostrando que ao usar um fascinator em forma de quépe militar, ela não fere sua feminilidade. A mulher pode ser feminina, mesmo atrás de uma farda.

Então amiga, inspire-se, pire-se, faça o seu fascinator de acordo com as suas fantasias mais lou-ou-ou-ou-oucas, caia na gandaia, entre nessa festa.

Beijíssimas que eu vou pra rave do Harry.
Dispensei o Mambuta porque não sou mulher de levar arroz pra banquete.

Laura Chanel