SOS BARANGA- Eu quero o meu burkini

Burkini

Burkini é o traje de banho que as mulheres muçulmanas usam para ir à praia. Na cultura/religião muçulmana a mulherada não está disposta a deixar o corpinho à mostra.
Do lado de cá da poça, bem abaixo da Linha do Equador, a mulherada exibe tudo.
Sou uma carioca típica, morei a poucos metros do mar do Leblon e comecei indo à praia de fralda de pano. Evoluí mais tarde para o biquini de tricô, depois o asa delta, fio dental e hoje em dia vou pouco à praia porque mudei pro meio do mato. A crença popular diz que a brasileira lida muito bem com seu corpo, que aqui no Rio sabemos como ninguém andar com muita pele à mostra, que em um passeio pela praia de Copacabana temos a certeza de que mesmo aquelas mulheres acima do peso, com celulites, estrias, untadas de óleo, atravessando as duas faixas da Avenida Atlântica sem canga estão bem resolvidas, felizes e sexualmente ativas. Os homens também, desde aqueles que usam sunga e exibem os tanquinhos fazendo flexões nas barras de Ipanema até os mais barrigudos, com suas bermudas e chinelos fazendo o Orgulho-Seu-Boneco.
Toda a polêmica a respeito do burkini veio quando na França, lugar onde vemos a mulherada de peitos de fora na maior, desde a criança até a vovó, ensaiou a proibição do uso do burkini pelas muçulmanas por se tratar de um símbolo da opressão feminina. Autoridades chegaram ao extremo e mandaram mulheres trajando o burkini sairem das areias ou se despirem. Traumatizados com o ataque em Nice, é compreensível a rejeição ao símbolo do islamismo, mas que bom que aquilo não foi adiante.
Assim, depois da praia, entre um chope e um galeto no Baixo Gávea, mulherada a discutir sobre o burkini, encontramos várias que adorariam usar um burkini, talvez uma pequena releitura do que é o burkini gringo. Com exceção das aberrações daquelas garotas muito malvadas que não têm celulites e fazem assanas avançados na areia sem apresentar uma pelanquinha ou gordurinha pra balançar, todas concordam que quando estão usando uma roupa de ginástica, o corpo fica lindo e a pessoa fica mais à vontade.
Esse papo de que a carioca é muito bem resovida com o corpo é mais uma lenda sobre o Rio de Janeiro e sua fauna. Não tem ente mais exigente com o corpo alheio e também com o seu do que a carioca. Mostramos tudo, jogamos altinho sem um pentelhinho pra contar história quando estamos no auge da nossa forma, depiladas até o intestino e, falando em intestino, depois de muitos lactobacilos vivos. Se a amiga ou a inimiga chega na praia com a bunda mole, todo mundo repara, fala, fala merrrrmo. Se o peito tá caído, fala. Se a coxa é flácida, fala. Se engordou 5 quilos, fala. Todo mundo fala. Então que negócio é esse de lidar bem com o corpo? O escambáu. A carioca e o carioco dão uma relaxada no inverno porque vão pra Itaipava comer fondue e usar cachecol, mas na primavera já estão correndo pra academia pra poder chegar no verão exibindo a barriga negativa.
Tem um mundo de mulheres que não ousam chegar na praia e tirar a roupa porque têm vergonha do corpo, porque sabem que todo mundo olha, mede e fala. Cariocas sabem fazer barrinha de cereal em casa! Cariocas são profissionais! Cariocas são gostosas e gostosos, mas só aqueles que estão muito em forma e alguns seres felizes, desencanados , bem resolvidos que não ligam mesmo pra ditadura do corpo perfeito, porque eles têm!!!
Vai correr atrás de uma criança com a  barriga flácida da gravidez! Se você for famosa, tá frita. Diferentes ângulos da sua flacidez serão publicados e comentados.
O burkini revisitado pode ser a libertação de uma penca de mulheres que passam o sábado encafifadas porque não têm coragem de mostrar tantas coisas condenáveis como estrias, pelancas, gorduras, pintas e pentelhos! Além disso tudo, a proteção física contra os raios solares é a mais eficaz contra o câncer de pele.
Para quem acha que todo mundo tem que lidar bem com o corpo e não ligar para o que os outros acham e colocar um biquini e se jogar no K8 (localidade com a maior concentração de gente incrivelmente bonita), um dado de realidade:  tem gente que não lida bem com o corpo e ponto final. Liberdade para as pessoas que transam de luz apagada, liberdade para quem quer ir à praia coberta, para a zamigas que não tiram a canga! Sou baranga e sou feliz e sim, tenho vergonha do meu corpo, minha cabeça é uma merda, e daí?!

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